sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Uma bula do homem para Deus

Esse texto eu já tinha lido antes, e agora o re-li no Pavablog. Longo, mas muito bom... fala sobre as relações entre nós, a teologia e Deus. Vale a pena !

PS: Isso me lembra a vez que eu e Lili quase largamos tudo pra irmos estudar na Faculdade Latino Americana de Teologia... sei que seria um boa experiência, mas não me arrependo de não ter ido !

Parece que a coisa mais difícil que existe para alguns cristãos em relação a Deus, tem a ver com o tal encontro paradoxal, e, mesmo, completamente irreconciliável, entre a Soberania de Deus e a Liberdade do Homem.

Se o homem é livre, Deus não sabe tudo. Se Deus sabe tudo, então, o homem não é livre — diz-se com a crença de que se conhece ambas as dimensões, a do finito e temporal, em contraposição ao que seja Eterno e atemporal.

Fico sempre perplexo com a disposição humana de buscar entender Deus em relação ao homem, sempre fugindo do fato que somente importa entender o homem na sua relação com Deus; e isso se tivermos Revelação, do contrário, nem isso entenderemos.

A mera existência da chamada ciência teológica é em si uma falácia, sendo que o termo “teológico” deveria ser considerado algo vinculado ao charlatanismo.

Por quê?

Porque se é de Deus que falamos, então, pela lógica, de Deus deveríamos parar de falar, sem falar que pela própria lógica se chega a tal constatação ante a natureza da revelação de Deus nas Escrituras e na Natureza criada.

Pela Escritura se chega à conclusão simples que não se pode esquadrinhar o entendimento de Deus, o que acaba com a idéia pagã da teologia que se diz o estudo de Deus.

Jesus simplesmente disse que tudo está nas mãos do Pai, ao mesmo tempo em que mandou que os homens cuidassem de tudo como se tudo dependesse de cada pessoa na Terra.

Entretanto, o COMO da Soberania de Deus ou ainda o COMO de Deus ser livre [modo, mecânica], não compete ao homem elaborar, sendo seu exercício apenas divagações tolas e insensatas pela sua própria natureza.

Ora, eu mesmo não compreendo meu próprio modo de agir, como então me arrogarei a entender o Modo de Deus ser?

Proponho aos teólogos que quando todos estiverem curados e resolvidos em tudo, que, então, dêem-se ao luxo de gastar tempo discutindo COMO Deus é.

Antes disso é bizarro!

Depois disso, todavia, não se discutiria tal assunto, pois, uma parte da cura do homem está em resolver sua síndrome de onipotência, mediante a qual se arroga a entender Deus, ou, em outras palavras, arroga-se a criar uma lógica acerca de Deus, uma teologia. Porém, uma vez que ele se enxergue, verá o suficiente para ver que nada vê.

Fico vendo aquela pulguinha dizendo grandes coisas acerca de COMO Deus é. Lá está o homem, vomitando ignorâncias e pensando que são pensamentos de Deus. Não! São pensamentos acerca de um Deus que cabe no pensar, sendo, por isto, apenas obra de artesanato de rasas idéias como matéria prima para a fabricação fictícia e pobre.

A Natureza, no entanto, nos obriga a viver com o que não se entende. Todavia, aparentemente, tais teólogos não ousam falar do Universo, da criação, embora creiam que seja mais fácil dizer COMO Deus é.

Ora, ouvi-los-ei bem melhor quando falarem tão bem quanto seja possível em profundidade falar com entendimento sobre a natureza humana, a partir de si mesmos, e, além disso, quando manifestarem compreensão acerca do que na própria criação manifesta paradoxos irreconciliáveis para a mente do próprio homem.

Sim. Somente depois de lidar com o Paradoxo Irreconciliável na Natureza é que o teólogo pode, gentilmente, falar de sua ignorância acerca de COMO Deus seja.

Mas a criatura é para o teólogo maior do que o Criador. Por isto, ele, o teólogo, arroga-se a falar de Deus, e diz que não fala do Universo e de suas entranhas já conhecidas, pois, nada entende de física ou de Astronomia, ou de genética, ou de biologia, ou de qualquer outro campo do saber. Porém, de Deus ele diz saber tudo, pois, já está dogmatizado ou sistematizado; ou, quem sabe, está em processo de desnudamento pelo saber do próprio homem que diz saber de Deus, apesar de nada saber acerca do que lhe seria mais próprio: conhecer a si mesmo e a criação.

Entretanto, assim mesmo, ele, o homem, fala de Deus, pois, supostamente, crê que Deus seja mais fácil de ser falado do que a Natureza [a criação]; sem perceber que ou ele, o homem, aprende a falar em Deus apenas porque crê Nele, ou que então deve ficar calado até que possa falar compreendendo de si mesmo e a criação, sob pena de se tornar idolatra no pensar, visto que cultua a Natureza com mais reverencia no altar do pensamento do que cultua a Deus em fé, posto que ante a natureza ele se cale, mas perante Deus ele ouse dizer COMO Deus é.

“Eu cri, por isto é que falei”, é como se pode falar que nada se sabe sobre Deus, exceto acerca do que Ele diz de Si mesmo.

A Teologia não se interessa de fato em Quem Deus diz ser, mas sim em COMO o homem precisa que Deus seja a fim de que lhe faça sentido.

Ora, primeiro o teólogo tem que saber lidar com todos os Paradoxos do Universo criado e visível. Se ele puder explicar alguns desses irreconciliáveis paradoxos visíveis e mensuráveis [ainda que com medidas quase infinitas no Macro e no Micro], então, ele, o teólogo, poderá começar a falar nos Paradoxos de Deus, mas apenas para dizer:

Se não compreendo todos os irreconciliáveis paradoxos universais, e que são criações de Deus, como poderei eu entender Deus, se, também, até hoje, não entendo a mim mesmo?

Na Natureza existo sob o signo do Absurdo para mim mesmo, pois, não consigo entender nem mesmo os paradoxos do Cosmo.

Não consigo entender as dimensões do Universo, seu AMBIENTE, seu lugar. Nada sei de seus buracos negros, buracos brancos, novas e super-novas, de suas múltiplas formas de energia, de sua energia branca, de suas fusões galácticas, de sua massa negra em expansão descontrolada... Mas, assim mesmo, aceito viver em tal total ignorância, pois, mesmo não entendendo o Universo, sei que existo. Assim, declaro que o sentido das coisas vai no máximo de mim a mim; e nada além disso.

Ora, é possível que existam também universos paralelos, pois, se de um lado o Macro-Cosmo é impensável em seus tamanhos e em sua natureza estudável e visualmente fixa de ser, de outro lado, no Micro-Cosmo, no nosso até agora conhecido ambiente da matéria, no mundo sub-atômico, encontra-se o paradoxo até agora irreconciliável entre os dois mundos, Macro e Micro, posto que se o primeiro é fixo, o segundo é completamente imprevisível, sendo feito de algo que pressupõe a possibilidade de mudanças totais em razão da natureza não-fixável das partículas quânticas, e, por tal razão, também aberto a existência de universos paralelos.

Eis o Paradoxo.

Sim! Como o que existe e que não posso negar, existe sob as bases de algo não fixo e não fixável, aberto a todas as possibilidades, e, além disso, operando aparentemente sob um principio oposto ao que rege o Macro?

Macro e Micro existem em um paradoxo irreconciliável!

Einstein fugiu do paradoxo. Não podia aceitar o fato que ele mesmo ajudara a entender, apenas porque não compreendia a síntese de tal paradoxo entre o Macro e o Micro, e acabou angustiado ante suas próprias descobertas, em razão de não ter se rendido ao fato que o próprio Universo é feito de elementos que transcendem o homem.

E o que mais não sei além de tudo?

Assim, paremos a converseira acerca de COMO Deus é, e, desse modo, cuidemos de a Ele conhecermos pela fé na Revelação Dele em Jesus, e isso sem pretensões teológicas, mas apenas relacionais.

Do contrario, se alguém falar de Deus sob os auspícios da bandeira Teo-lógica, então, que desse tal se peça que antes fale e explique a natureza paradoxal do Universo, a fim de então, humildemente, apenas dizer que nada sabe acerca da liberdade do homem e da Soberania de Deus, visto que ele, o homem, sabe que em si mesmo ainda é escravo de muita coisa [por isso nada sabendo de liberdade], e que, em relação a Deus, pela própria Revelação, sabe que Dele nada se sabe pela via do saber humano, posto que Deus tenha determinado que pela sua própria sabedoria o homem não conhecerá o Criador.

O que passa disso é charlatanismo intelectual!

Caio Fábio

domingo, 12 de outubro de 2008

Comendo Pizzas com Prostitutas e Travestis

Segue abaixo texto que li no Tomei a Pílula Vermelha:

"Projeto CAfé da MAdrugada mostra o amor de Jesus sem preconceitos. O momento foi todo especial, regado de boas conversas, muitas gargalhadas, deliciosas pizzas, amor cristão, oração e textos bíblicos “Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores”. (Mateus 9:10)

Foi na última quinta-feira (18/09) que o Projeto CAMA (Café da Madrugada) realizou a noite da pizza. Este projeto existe há quase um ano e meio e visa exclusivamente o resgate físico, emocional, social e espiritual dos profissionais do sexo (travestis e garotas de programa), através do compartilhar da Palavra de Deus e do amor de Jesus demonstrado – sem preconceitos - por seus missionários urbanos.

Depois de um tempo de oração na Igreja Evangélica Irmãos Menonitas do Jabaquara, os integrantes do CAMA saíram às ruas, por volta das 20h30, para encontrar com as pessoas que já haviam sido convidadas de antemão para o evento. O grupo tinha um total de 15 participantes, incluindo membros do projeto, profissionais do sexo e outras pessoas de comunidades distintas que têm apoiado o trabalho. Após chegarem em uma boa pizzaria da região, o momento foi todo especial, regado de boas conversas, muitas gargalhadas, deliciosas pizzas, amor cristão, oração, textos bíblicos e muitas fotos.Na ocasião, o pastor Neto (Igreja Cristã da Redenção) foi quem trouxe uma meditação intitulada O sonho de liberdade e, ainda, entregou algumas lembranças artesanais, feitas por ele mesmo, as quais serviram de ilustração para a mensagem trazida.

Outros membros de sua comunidade estiveram presentes e puderam compartilhar dos momentos agradáveis daquela noite.O evento foi encerrado com uma oração de agradecimento pela vida de todos os presentes e um pedido especial, de proteção, para essas pessoas que levam vidas tão difíceis e, como se não bastasse, sofrem o preconceito da sociedade, que se esquece de que Jesus também morreu por elas.

Pr. Renato de Oliveira (Igreja Ev. irmãos Menonitas do Jabaquara)
Fonte: Manonitas.net /Gospel + [via Sou da missionária]

P.S.: Me espanto com a simplicidade deste projeto... pela sua similaridade com o que Jesus fazia! Isso é ser testemunha de Cristo. Um ótimo exemplo de atitude demonstrada por um pequeno grupo de discípulos de Cristo dispostos a ser luz do mundo e sal da terra. Agora me fala qual dá mais resultado: mostrar comunhão, amor e aceitação convidando os excluídos para se juntarem à mesa? Ou fazer um MEGA EVENTO GOSPEL e sair distribuindo panfletinhos convidando os outros para irem assistir a um show de inutilidade pública dentro de um templo? Parabéns Pr. Renato de Oliveira... Deus seja com vocês!"

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Isso é ser Igreja relevante. O resto todo mundo faz, e algumas fazem tão bem que nem dá vontade de tentar copiar, de tão bem executado que é. É fácil fazer aeróbica gospel, o difícil é ser coerente com o evangelho diante das pessoas. Por essas e outras tenho pra mim que o melhor lugar para os incoerentes (com o evangelho) se escoderem é dentro das "igrejas". Há tanto movimento, tanta aeróbica e tanto "trabalho" que não sobra muito tempo para confissão de pecados, arrependimento e tratamento das mazelas entranhadas na alma.

Já "malhei" o suficiente. Agora entendo que é hora de deixar de olhar pros "equipamentos" da academia(gospel) e passar a conviver com as pessoas que estão lá "malhando", muitas vezes sem perceberem ao certo o que estão fazendo.

E no final das contas não é só isso que é ser Igreja ?

Reflexões sobre a música "gospel" Brasileira


Há tempos que digo o mesmo que o Caio tem dito há anos sobre a música cristã brasileira: que é um mercado, que me dá nojo, que depois da laia de pastores enganadores a segunda pior coisa são os ministros de louvor falsos, que eu nunca iria em um congresso de músicos cristãos, que eu nunca chamaria alguém do grupo de louvor de levita, etc etc etc...

Continuação desse vídeo:

Parte 2

Parte 3






O caminho que percorremos...

...nós estamos falando de caminho, e no caminho "um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!"

No caminho um levanta o outro.
No caminho a gente não quer saber quem é o indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído.
No caminho o samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz perguntas.
No caminho não existe discussão religiosa, no caminho ninguém diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?".
No caminho ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o anjo do Senhor acampado ao seu redor".
No caminho ninguém diz: "Olha se você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu estás amarrado. Ele não teria te assaltado".
No caminho a gente levanta, a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente carrega, a gente leva.
No caminho não tem proselitismo, não tem prosa, não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça, tem vida, tem gesto.

A maioria de nós está na estrada da religião cristã, poucos de nós estamos andando no caminho de Jesus, e é só quando nos dermos conta disso que temos alguma chance de ser salvo da estrada, para poder, no chão da vida, ver o caminho mudar debaixo de nossos pés. Porque é o caminho da fé que chama o próprio caminho da vida à existência para nós.

trecho de Estrada & Caminho, mensagem de Caio Fábio.

E este é o caminho que já decidimos trilhar. Sem rodeios, sem perda de tempo, indo direto ao ponto. E é esse caminho que nós defenderemos durante o resto da nossa existência. Afinal, os demais caminhos (ou serão estradas ?) já têm defensores demais.

Recomendo, aos interessados, o Blog do Caminho . Lá você poderá encontrar pessoas que mostram o que vivem sem nenhum marketing, sem maquiagens, sem preocupações de "aparecer" ou de serem "os que fazem acontecer". E é junto com os que andam no Caminho que iremos caminhar.

sábado, 11 de outubro de 2008

O Calibre



Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei da onde vem o tiro

Por que caminhos você vai e volta?
Aonde você nunca vai?
Em que esquinas você nunca pára?
A que horas você nunca sai?
Há quanto tempo você sente medo?
Quantos amigos você já perdeu?
Entricherado, vivendo em segredo
E ainda diz que não é problema seu

E a vida já não é mais vida
No caos ninguém é cidadão
As promessas foram esquecidas
Não há estado, não há mais nação
Perdido em números de guerra
Rezando por dias de paz
Não vê que a sua vida aqui se encerra
Com uma nota curta nos jornais

Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei, de onde vem o tiro

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Dust in The Wind...




Linda música que me faz lembrar o quanto nós somos pequenos e que estamos aqui somente de passagem, e no momento, eu estou agradecidíssima por Deus ter livrado duas pessoas que amo muito de um grave acidente.

Jambitas, linda do meu coração que em todo tempo me amou e suportou e se fez minha irmã, minhas orações, lágrimas, súplicas e agradecimentos hoje são por você, assim como essa música.

Um xêro (sabor Milk shake Ovomaltine do Bobs)

Homossexualidade e outros pecados...

CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre. A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros.

Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:

"Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. (...) Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?

O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?

Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19, 20:18 etc.). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.

Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?

No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?

Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?

Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes -a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-la? Não poderíamos queimá-la numa reunião privada?

Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável".

Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.