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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Qaundo digo: eu sou um cristão

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Não estou gritando, “Eu sou salvo!”
Eu estou sussurrando, “eu me perdi! É por isso que optei por este caminho”

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Eu não falo com orgulho humano
Eu estou confessando que tropeço e necessito que Deus seja o meu guia

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Eu não estou tentando ser forte
Estou professando que estou fraco e oro por força para continuar

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Não estou me gabando de sucesso
Eu admito eu sou falho e não posso pagar a dívida

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Eu não acho que eu sei tudo
Apresento à minha confusão pedindo humildemente para ser ensinado

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” Eu não pretendo ser perfeito
Minhas falhas são demasiadamente visíveis, mas Deus acredita que eu possa valer a pena

Quando eu digo, “Eu sou um cristão”, eu ainda sinto o cheiro da dor
Eu tenho a minha quota de melancolia, é por isso que vou buscar o seu nome

Quando eu digo, “Eu sou um cristão,” não estou querendo julgar
Eu não tenho autoridade - Eu só sei que sou amado.

Texto de Carol Wimmer, que vi no Thiago Mendanha.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CARTA QUE ME FAZ LEMBRAR DA ISABELLA, DA ELOÁ, DO HOLOCAUSTO, DE DAFUR, DA ESQUINA...


Segue texto abaixo, enviado por e-mail pelo Carlos Bregantim (Brega), no grupo de mentores do caminho. Leiam, realmente é bem interessante !

Amigos, o policial abaixo viu gente morta no ano q trabalhou no IML. Eu, de modo semelhante, já vi muitas pessoas morrendo nas salas de emergência dos pronto-socorros onde trabalhei nos últimos 15 anos. Vi velhinhos e vi crianças nas agonias finais...Lembro até hoje dos seus rostos e dos parentes apavorados tentando enxergar alguma coisa pelas frestas...

Domingo último na Estação Santos entreguei uma DEVOCIONAL para a semana onde se falava sobre VIDA E MORTE sob o prisma do Evangelho do Senhor ao qual cremos, conforme as narrativas bíblicas que nada escondem acerca de coisa alguma, só a gente que não quer enxergar.

Mas nada como uma ilustração caso-real, uma carta caso-verdade, que podia ser minha, ser sua, ser de quem é sensível às dores do mundo... e dos demais que abortaram a fé pq não conseguem explicar o caos humano.

E sinceramente, se nossa consciência não crescer até ao menos o entendimento abaixo demonstrado, então, caros amigos, vamos parar com essa brincadeira de crentes-ateus, e comer e beber, pq amanhã vamos morrer!

Leiam com atenção, por favor. E se o puderem fazer, imprimam para depois.

Meu carinho,


Marcelo Quintela

Santos/SP




------------- Segue mensagem encaminhada -------------

----- Original Message -----

From: DEUS NÃO VIVE ONDE EU TRABALHO: NO IML!

To: contato

Sent: Monday, December29, 2008 5:50 PM

Subject: Dúvidas e medosobre a fé

Olá Pastor Caio Fábio!

Eu sou professor e leciono em vários colégios. Fiquei sabendo a respeito do senhor por intermédio de uma colega de profissão em uma das escolas ondeleciono. Foi então que li algumas cartas respondidas no seu portal, fiz um cadastro e resolvi escrever para o senhor.

Bem, eu sou uma pessoa muitíssimo complicada. Eu fui policial de necropsia da polícia civil por aproximadamente um ano, e nesse período pude ver todo o resultado da violência humana nas salas e nos corredores do IML (Instituto Médico Legal).

Os colegas mais antigos de profissão costumavam dizer: "... se há um lugar onde Deus definitivamente não está são nos corredores do IML...".

Em um dia de trabalho me deparei com uma criança de uns três anos de idade, sexo masculino, que fora vítima, de acordo com o laudo cadavérico após exame necroscópico, de espancamento seguido de morte por hemorragias internas múltiplas.

Embora fôssemos instruídos para que nunca entrássemos na história de sofrimento da vítima, não podia deixar de passar pela minha cabeça o seguinte questionamento:

"Onde estava Deus nessa hora em que a criança estava sendo agredida e espancada até à morte?"

Devido a esse fato e muitos e muitos outros... Inclusive coisas da minha própria vida que eu vivenciei e experimentei a respeito das pessoas, fui gradativamente perdendo a minha fé. E hoje parece que não me resta mais nada a não ser a minha razão.

Será que o senhor poderia me ajudar ?

Muitas Felicidades a todos!
______________________________________


Resposta:

Meu mano amado: Graça e Paz!

O que dizer então de Deus, que deixou crianças inocentes morrerem enquanto Jesus, Seu Filho, era levado em fuga para o Egito?

Nessas horas todos viram “Deus”!Sim! Todos têm idéia a dar a Deus. É a Síndrome de Jimmy Carrey!

Ora, se é assim, pergunto:

Como “Todo-Poderoso” o que você faria?

Que “soluções” traria ao mundo?

Faria o quê? Violaria as leis da Física sempre que alguém fosse fazer mal a alguém?

Sim! A faca entortaria sempre que fosse ser enfiada em alguém. Ou quem sabe o braço do espancador caísse morto quando ele fosse atacar um inocente. Ou, quem sabe, o pênis do estuprador pudesse ter um ataque do peixe candiru e se auto-enfiar no anus do próprio agressor.

O fato, meu irmão, é que ninguém numa hora assim pensa na criança espancada!

Sim! Pois, caso a mesma criança estivesse na esquina, quem de vocês no IML, a levaria para casa para criar?

É tão fácil dar idéias para Deus acerca das coisas que nós, mesmo podendo, não fazemos nada para resolver em vida!

Em horas como essa o nosso egoísmo é tão grande que a gente só pensa em nós mesmos, que vemos a tragédia e ficamos sem esperança, ou nos que ficam sem esperança e injustiçados diante do ocorrido perverso. Entretanto, no fundo, o que fica não é a dor pela criança, mas o choque da brutalidade, a qual, de modo inconsciente, lembra que aquele corpo poderia ser o nosso ou de gente que nós amamos.

Mas e a criança? Foi mal para ela encontrarcom o Pai de amor? Foi mal para ela ter sido tirada do inferno para o Paraíso do amor? Foi mal para ela nem ter sabido que teve um corpo mutilado ante ao fato de que ganhou um corpo eterno? Foi mal para ela não mais ter que sofrer os abusos dos homens de modo indefeso?

Foi mal o amor de Deus por ela, que a tirou do poder das maldades dos homens? Foi má a alegria de Deus ao acolher mais um de Seus santinhos?

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de Seus santos!”

Sabe o que falta a você?

Consciência e alegria na vida que é!

Meu irmão, se meu corpo chegar a algum IML todo lacerado e arrebentando, não sinta nada, pois, de fato, aquele corpo é de morte, e se não morre hoje, morrerá amanhã, mas certamente morrerá.

Sim! Poderá não ser lacerado por homens,mas, sem duvidas, será banquete de vermes!

Mas e daí?

Meu irmão, você escreveu para um homem que já perdeu muito, segundo os homens, que já sofreu muitas dores, segundo os homens, e que já sentiu quase todos os sentimentos desta vida, segundo os homens — e que, apesar disso, não tem perguntas filosóficas a fazer a Deus.

Há quase cinco anos meus filhos e minha mulher não quiseram que eu visse o corpo atropelado de meu filho Lukas, pois,não queriam que eu visse o estado de deformidade inicial no qual o atropelamento deixou o seu corpo de 22 anos.

Eu, no entanto, nunca gastei cinco minutos para pensar no que o atropelamento fez a ele, embora, todos os dias, eu imagine, ainda que de modo pobre [pelas minhas limitações], a Glória que hoje o veste em eternidade!

O que falta a você é uma fé que seja fé,segundo o Evangelho; pois, a fé que você tem é segundo a “igreja triunfalista e mentirosa”, a qual vive de sua propaganda enganosa,vendendo Seguro de Vida e contra Acidentes aos crentes incautos.

Alguém lembra de Jesus dizendo:

“Meu Pai! Puxa Vida! Por que Pilatos tinha que misturar o sangue dos Galileus com os sacrifícios que eles ofereciam?”

Ou ainda:

“Pô, Pai! Por que aqueles dezoito homens que visitavam a Torre de Siloé tiveram que estar lá justamente na hora em que a Torre caiu?”

Sim! Você escreveu para um homem não ter perguntas e, por isto, não tem respostas humanas, visto que, para mim, a resposta não é a longevidade na Terra, mas a segurança na eternidade.

Sou um alienado? Não! Apenas sou coerente com o que Jesus ensinou e com o modo silencioso com o qual Ele tratou de todas essas coisas.

Sim! Ele nada disse, embora, muitas vezes,tenha salvado a muitos, enquanto andava entre nós.

Entretanto, quando Ele quis ilustrar o amor,a imagem escolhida foi a do absurdo e a do casuísmo de um assalto na baixada para Jericó. E mais: na “história” Ele não impediu o assalto. Sim! Não enviou anjos e nem exércitos. E qual foi a “solução” de Jesus? Ora, foi fazer um homem de amor passar, ver e agir.

A resposta de Jesus às calamidades deste mundo é o amor de todos os Samaritanos, Gente Boa de Deus!

Em horas como essa não se deve fazer perguntas a Deus, mas apenas a nós mesmos; tipo: O que eu posso fazer para ajudar quem está vivo?

Sua fé, aparentemente, era o produto evangélico de crença mágica, e que, aparentemente, se tornou“cristã” sem levar em consideração que somos discípulos de uma fé que não liga para a morte [que já foi vencida e que não mata mais], não se espanta com catástrofes e não demanda de Deus que no mundo não haja aflições.

E mais: esquecemos tudo o que Jesus disse que poderia acontecer aos discípulos, tanto como perseguição dos homens, como também no que tange a todo tipo de violências que poderíamos sofrer.

Releia os Evangelhos e veja se você encontra alguma promessa de suspensão do mundo real apenas porque alguém disse que crêem Jesus.

Meu irmão, se o precursor de Jesus teve a cabeça cortada por causa dos meneios de uma jovem e da cobiça de um rei semi-brocha, Herodes; e se o Messias foi morto de modo estuprado de violências impensáveis... — por que você alimenta as ilusões de que nesta vida o amor de Deus pode ser medido pela ausência de dor e de maldades?

Largue essa fé de crenças mágicas e entre de cabeça no sentido do Evangelho, onde aprendemos que a morte já não mata mais ninguém, especialmente crianças inocentes, cujas faces são vistas de dia e de noite pelos anjos de Deus, conforme Jesus garante no Evangelho.

O mais, mano, só mesmo você escrevendo para Deus, ou, se quiser simplificar, apenas crendo Nele!

Receba meu abraço!

Procure um grupo do Caminho em sua cidade afim de se congregar sem falsas expectativas sobre a existência.

Ah! Um problema:

O corpo de Jesus sumiu do IML de Jerusalém!

Um beijo!

Nele, que ainda demorou mais dois dias antes dese mover na direção da casa de Lázaro, o amigo que morria,

Caio

30 de dezembro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Amores Impossíveis: Parábolas do Amor de Deus

Disse-me o Senhor: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses… (Oséias 3:1)
Outro dia alguém me perguntou como ficam as pessoas que amam com o amor que jamais acaba, enquanto relacionamentos podem acabar mesmo quando há amor.

De fato, essa é uma das grandes questões e uma das maiores dores existenciais que os humanos têm que enfrentar dentro do coração a vida inteira.

Eu creio que alguns sentimentos acabam. Mas acredito que o verdadeiro amor, mesmo entre homem e mulher, jamais acaba.

Quando alguém entra nesse mistério do coração —o amor— e vive a experiência de não poder ficar com quem ama —seja lá por que circunstâncias forem—, tal pessoa sofrerá a pior tortura que o ser pode experimentar, mas não desejará ficar curada de sua própria dor, pois o amor não quer se curar de si mesmo, ainda que muitas vezes clame pedindo compaixão aos céus, implorando por “libertação”. Todavia, se a “opção de cura” lhe for oferecida, suicidamente, o amor a repudirá, visto que não pode negar-se a si mesmo.

O amor é mais forte do que a morte!

Por essa razão, terá que existir em fidelidade a si mesmo, mesmo que seja contra si mesmo.

Grande é este mistério!

Ora, para todo aquele que sofre desse “bem”, resta apenas um consolo: Deus também sofre dele.

É apenas porque o amor de Deus é assim —e Deus é amor— que toda manifestação genuina de amor está, eventualmente, fadada ao sacrifício.

Mas são desses sacrifícios do amor que a humanidade inteira retira seu fôlego de esperança para continuar existindo.

Neste mundo caído, quanto mais sublimes são as realidades, mais passíveis de dor elas se mostrarão.

Quem não desejar correr tal risco deverá buscar ser raso e superficial durante toda a vida. Porém, não terá sabido o gosto de viver.

Até o que é mais sublime —como o é o amor—, terá que receber, nesta Terra de Dores, a glória da coroa de espinhos.

É o amor coroado com espinhos!

É assim o amor em meio à Queda!

É a vida!

Quem não tiver encontrado tal amor, não o busque. Quem foi encontrado por ele, saiba: não adianta fugir dele.

Seu ciúme de ser quem é é mais implacável que a sepultura.

Não deve ser jamais acordado. E isto apenas por uma razão: não pode morrer uma vez que tenha aberto os olhos…


Caio

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Doações Enchente 2008

Deixo aqui para todos, e fixo na lateral do blog, o número de contas para doações a favor dos desabrigados em Santa Catarina. As contas aí presentes foram disponibilizadas pela Prefeitura Municipal de Blumenau.


Nessa semana também foi aberta conta no Banrisul, agência 0131 (Blumenau) conta 06.852725.0.5, Favorecido Fundo enchente 2008 SC.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A BÍBLIA É BABEL

A Bíblia não pode estar acima da vida. A maior autoridade na vida é a vivência mesma e não o texto sagrado da religião. O que contraria um pilar da tradição evangélica. Proponho inverter a afirmação tradicional. A vida é a maior autoridade sobre a Bíblia.

A hermenêutica evangélica da Bíblia hierarquiza o texto sagrado dividindo-o em patamares de estilo e valor: o texto normativo e o narrativo. Por ser uma escrita escorregadia, marcada pelas singularidades e obscuridades das experiências humanas, o texto narrativo precisa ser iluminado pelo texto normativo, aquele que discorre sobre Deus e doutrina a vida do crente. Sendo assim, grande parte dos evangelhos e do Livro dos Atos dos Apóstolos careceria ser interpretada com o auxílio preciso das Cartas Apostólicas. Também se sujeitariam a estes os poéticos e apocalípticos. Afinal de contas, o que fazer com o sorteio que define a vontade de Deus para a substituição no colégio apostólico, ou com a quantidade exorbitante de vinho providenciada pelo festeiro Nazareno transformando água em vinho? Os narrativos escandalizam, os normativos devolvem a ordem.

Esta compreensão hierarquizada da Bíblia já é uma “ginástica” conceitual para administrar a violência imposta à vida humana ao submetê-la a uma autoridade carente de dinamismo, à força fria do que está escrito. Os textos narrativos, maioria sugestiva da Bíblia, são repletos de ambigüidades, contradições, tensões, becos sem saída e imprecisões, porque são o retrato da vida de homens e mulheres que experimentaram Deus em épocas e culturas próprias. Da mesma forma que o discurso religioso quer sujeitar a vida ao texto bíblico, sua hermenêutica obriga-se a calar a polifonia irresistível dos textos narrativos com a mordaça dos chamados textos normativos.

Como se já não bastasse a hercúlea tarefa de arranjar a “Bíblia” de forma a maquiar suas imprecisões textuais e sua distância cultural em relação ao leitor, impõe-se ao crente arranjar sua vida de forma a encaixá-la na moldura das Escrituras, ou pelo menos dar esta impressão. Entenda o enquadramento da vida pelas Escrituras pelo que delas se compreende e se institui como fiel interpretação. Assunto com que já nos ocupamos em textos anteriores a este.

Acredito que precisamos ampliar o alcance da doutrina cristã da encarnação. O Deus que se fez gente deveria ser a mais importante chave de compreensão da Bíblia. Sendo assim, podemos entender o gesto de se esvaziar da condição acima da vida para assumir a condição humana de viver como a rendição de Deus à única realidade em que o que diz à humanidade pode fazer sentido, na vivência.

A Palavra de Deus se enche de sentido no Verbo Encarnado. O Verbo Vivo não mata a vida para se impor como doutrina. “O ladrão vem para roubar, matar e destruir”. Doutrina que não se vivencia assalta a vida. Mas a Palavra encarnada é a que vivencia radicalmente a existência humana e nela promove a vida intensamente. (Jo 10.10) O movimento divino de encarnação é um ato libertador. É negação de qualquer fala que se desconectou da vida para a sua afirmação redentora. Antes de dizer, desdizer.

Talvez por isso Jesus tenha usado com freqüência as locuções “Ouvistes o que foi dito aos antigos (…) eu, porém, vos digo que (…)” (Mt 5.22-44) Um Deus encarnado precisa dizer de novo. Reinterpretar o que sempre disse, pois fala de dentro da dinâmica existencial dos viventes. Fala com cheiro, com timbre, com cara, com batimentos cardíacos, com cultura e história, é a Raiz de Jessé, o Filho de Davi. Judeu nazareno oprimido pelos romanos. É provavelmente carpinteiro, certamente pobre. É filho de Maria, primo de João Batista. É “comilão e beberrão”. É rabi. É o filho do homem. É gente. Tem que desdizer e dizer de novo.

Acredito que foi por isso que Jesus suspendeu a prática do jejum em determinado momento, rito previsto e normatizado na Lei, negando qualquer sentido ao jejum na “presença do noivo” Como também colocou o Sábado a serviço da vida humana e a libertou de seu senhorio desastroso: o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. A vida é sagrada e não o mandamento do sábado. A Bíblia foi feita a partir da vida humana e não a vida humana a partir da Bíblia. A Bíblia sagra-se na vida.

Jesus re-significou a lei diante da mulher flagrada em adultério. A célebre pergunta “quem não tiver pecado atire a primeira pedra” seguida do perdão nada mais foi que a vida legislando sobre a Lei. Silenciou a opressão da palavra que acusa e condena e deu voz ao perdão e à esperança. Jesus é a vida se impondo sobre a letra. Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? Tão pouco eu te condeno. Vá e abandone a vida de pecado.”

A grande pressão sofrida por Jesus, sua maior tentação, foi a de inverter a relação. Violentar a vida impondo sobre ela as regras vindas do alto. Ao que respondeu com uma metáfora. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”. (Jo 12.24) Mesmo diante da morte previsível, Jesus se nega a jogar com outras regras que não as da vida. As únicas que poderiam produzir muito fruto. Regras acima da vida fariam a palavra de Jesus uma palavra solitária, sem sentido. A palavra encarnada na vida, inclusive na possibilidade previsível da morte, é solidária, é comunhão, são muitos frutos, tem muito sentido. O mundo é reconciliado com Deus apenas na palavra que frutifica no solo da existência humana.

É por isso que o pregador que vocifera promessas de milagre precisa deixar o púlpito e freqüentar os quartos de hospitais onde esperam pelo último suspiro centenas de enfermos. Gente que nunca experimentará a tal “fé” que produz milagres. Pela mesma razão lamento a dor, mas celebro a oportunidade de ter a companhia de pastores que experimentaram o fim do casamento. Eles sim têm o que dizer sobre a interpretação de textos bíblicos a respeito do divórcio e novo casamento. Festejo a globalização e o acesso em tempo real aos fatos do mundo, pois enquanto reclamamos de Deus um jeitinho para os nossos mínimos problemas somos também constrangidos pelos campos de refugiados em Darfur.

Não tenho dúvida de que essa necessidade de alçar o texto bíblico acima do mundo vivido é uma manobra de perpetuação de poder, ou seja, da religião instituída. Apenas a instituição teme a leveza da vida humana, sua imprevisibilidade a ameaça, seu descontrole a esvazia, sua circunstancialidade a relativiza. Por isso o texto precisa emoldurar a vida humana e confirmar a relevância da religião organizada. Não consigo parar de repetir que a Bíblia que se posiciona acima da vida é sempre a imposição de uma interpretação dela e nunca ela mesma.

A Bíblia em si mesma é a sabotagem divina à sistematização dos amantes do poder. A Bíblia é Babel. A confusão de línguas e histórias impedindo a divinização dos edifícios. Babel é a vida liberta por Deus das amarras hegemônicas dos poderosos. A Bíblia é Deus confundindo os esforços cartesianos de aprisionamento da verdade. A Bíblia é Deus libertando a vida das razões absolutizantes. A Bíblia é Deus babelizando os poderosos e espalhando a verdade por tantos viventes quantos haja. A Bíblia é tão narrativa quanto à vida. E tão desorganizada, imprevisível, imprecisa, surpreendente e contraditória quanto a vida de qualquer um de nós.

E é justamente porque a Bíblia se parece muito com a vida humana que tem muito e sempre o que dizer à humanidade. Sendo um livro essencialmente narrativo é Deus falando enquanto vivemos.

Gadamer fala da compreensão como um jogo. Um jogo dialógico e dinâmico. Como em um jogo, só se compreende bem algo, suas regras e funcionamento, a medida que é vivenciado. Aprendemos um jogo não quando lemos suas regras, mas quando o jogamos. Aí sua dinâmica é apreendida. Ninguém aprende a jogar a partir de uma manual de regras, mas a partir do jogo mesmo. Porque um jogo é muito mais que as regras de seu funcionamento. É intuição. Discernimento. Interpretação. Improviso. Imaginação. Só então as regras do jogo fazem algum sentido.

A Palavra de Deus também. Enquanto vivemos, a Bíblia pode ser compreendida na dinâmica do que experimentamos. O que diz só faz sentido a partir do que vivenciamos. O que acreditamos dizer a Bíblia como Palavra de Deus é apenas o que faz sentido na vida que experimentamos aqui e agora. O que cai no solo da existência humana e frutifica. O que promove e afirma a vida humana. “A letra mata, mas o Espírito vivifica”.

Para a vida humana, com tantas vozes e imprevisível, uma Bíblia tão falante e tão surpreendente.

Elienai Cabral Junior

Obs: Tantas coisas já vivemos e falamos com os próximos a respeito de coisas como essa. "Queremos vida", é o que temos afirmado (os três autores do blog) constantemente. O Elienai nesse texto conseguiu exprimir com uma maestria impressionante esse sentimento. particularmente, foi a alegria dessa segunda melancólica e cinzenta. Impossível não dedicar isso aos amigos, mais do que irmãos, e toda a turma do Caminho Canoas que ontem proporcionou a nós todos uma noite tão gostosa.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Carta

---- Original Message -----

From: SEXO, BEBIDA, CIGARRO E IGREJA!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Sunday, October 05, 2008 10:59 PM

Subject: QUAL IGREJA?

Caro Pastor!

Sou evangélico há seis meses. Vivo num certo desconforto espiritual, pois tive que deixar coisas que eu gostava de fazer para não "magoar CRISTO" e não ir para o inferno.

Posso servir a CRISTO e beber, fumar, dançar, ouvir músicas seculares, ler livros seculares, praticar sexo sem casar?

Para ser salvo tenho que freqüentar uma igreja? Qual?

Por favor, me oriente!

Seu irmão em CRISTO!!!

___________________________

Resposta:

Meu irmão querido: Graça e Paz!

Se seu interesse é em Deus, em Jesus e na Vida Eterna, então, é vida que você quer.

Ora, se é vida que você deseja ter, então, é de vida que você tem que se ocupar.

Assim, não falamos de normas de homens, mas apenas do que Deus chama vida para o homem.

Desse modo, Paulo diz: “Todas as coisas me são licitas, mas nem todas edificam ou me convém. Todas as coisas me são licitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhum delas.

Paulo também disse que não se deve usar a liberdade que temos em Cristo a fim de se dê lugar a nada que seja contra aquilo que Deus, em Jesus, chama Vida.

Você pode o que você quiser, devendo apenas se perguntar: Que bem isso me faz?

Ou ainda:

Isso que eu gosto tanto pode fazer mal a alguém que não tem o mesmo entendimento que eu?

Ou também:

Esse sexo sem amor e sem significado que eu gostaria tanto de fazer por fazer, porque eu gosto, de fato realiza o quê de bom em mim e na pessoa da qual me sirvo?

Ora, aqui no meu site você pode ir ao serviço de Busca e escrever as palavras “sexo”, “bebida”, “cerveja”, “Skol”, “vinho”, “fuma”, etc. — e você encontrará respostas especificas para as suas questões tópicas.

Eu, todavia, aqui, agora, já, quero apenas dizer a você o seguinte:

Você não “magoa a Cristo” quando faz qualquer das coisas acima. Sim! Jesus não faz beicinho! Ele já nasceu Deus. Crescido. E mais: Ele não é tolinho e nem escandalizável. Ele aquenta tudo. Ele é amor. O amor é invencível.

Você faz mal a você mesmo, ao seu futuro, e, sobretudo, ao seu dia de hoje, no qual são forjadas e reforçadas as suas fibras de ser.

Entretanto, você só se fará mal se fizer mal a si mesmo no fazer e usar tais coisas.

Fumar você pode; e pode fumando ir para o céu. Mas e daí? A porcaria do cigarro faz mal aqui, já, no dia de hoje, e, com certeza, fará mais mal ainda amanhã. Portanto, o que há de bom em voltar para ele se você pode estar já livre dele para sempre?

Entretanto, você pode fumar e ir pro céu fumado.

O problema não é o céu, é a terra, é o pulmão, o coração, a circulação, a vitalidade física e sexual. Sem falar no tempo gasto, no dinheiro e também no condicionamento psicológico e físico que o cigarro produz.

Beber? Ora, beba. Mas não se embriague. Beba, mas não dirija. Beba, mas esteja sempre sóbrio e lúcido. Beba, mas não seja bebido pela bebida...

Ora, o maior sinal de que a bebida bebe a pessoa é quando a pessoa passa a ter que beber todos os dias, ainda que não se embriague.

Quando o individuo se jacta de não se embriagar embora beba todos os dias, é porque a bebida já o bebeu e ele não sentiu ainda.

Mas logo sentirá pelas mudanças súbitas de humor, ao ponto de que ficará cada vez mais bem-humorado quando beber, e, por isto, beberá mais.

Música secular? O que é isso? Deve ser coisa de crente!

Ora, ouça boas músicas. Apenas isto. E tome cuidado com uma tal de “música Gospel” que tem por aí, pois, em geral, faz muito mal aos crentes, embora eles não saibam disso de saída.

Sexo? Deus diz que sexo é bom. Foi Ele que fez.

Portanto, o que há de errado com o sexo, exceto com o que o homem fez dele?

Sexo é coisa tão boa que não deve ser feita de modo tão ruim e sem significado.

Sexo sem significado, promovido apenas pela avidez que tem sua fonte na insegurança dos seres aflitos por afirmação pela via genital, faz muito mal à alma.

Sim! Sexo deve ser o resultado de um encontro que gerou um significado profético no amor: ambos, homem e mulher, olham para frente e imaginam o quão melhor a vida seria se ambos fizessem de suas existências individuais uma vida só para os dois.

Ora, quando a consciência é essa, e ambos são responsáveis o suficiente para tomarem tal decisão, então, o sexo é apenas a continuidade simples e natural.

Assim, acaba a questão de transar antes ou depois de casar, pois, em tal caso, tendo a consciência que acima descrevi, somente quem é casado transa, posto que a transa é o rito mais essencial de todo verdadeiro casamento.

Quando se tem consciência do significado do sexo ele se torna o rito supremo do casamento dos que já estão casados pelo amor consciente e responsável.

O mais... — não é casamento.

No cartório a gente faz contrato. Na “Igreja” [templo] a gente mostra os que estão “se casando”. Mas tanto no cartório quanto na “igreja” ninguém faz casamento.

Aliás, ninguém tem o poder de casar a ninguém diante de Deus.

Diante de Deus somente entram o homem e a mulher; e isto não é no dia da cerimônia, mas no dia em que assumem que se amam.

Agora, saiba:

Só vale fazer qualquer coisa ou deixar de fazer, se for por amor e em fé.

Sem fé a gente se condena em tudo o que faz. E sem amor nada aproveita.

Portanto, você e eu temos que fazer tudo com fé e amor grato.

Transar, comer, beber, namorar, casar, trabalhar, ser amigo, ser pai, mãe, filho, irmão, ou qualquer outra relação, têm que ser feitos e realizados com fé e amor; pois, sem ambos, nada é puro e aproveitável.

Afinal, Jesus disse que aquele que é Seu discípulo faz tudo com amor. Esta é a obediência aos Seus mandamentos: amar sempre.

Assim, você tem apenas que perguntar se você ama a pessoa que você pensa em usar por uma noite apenas. É amor?

Ou então se é amor namorar alguém e usar outras pessoas sexualmente? Ou se é amor beber até cair ou falar um monte de bobagens? Ou se é amor fazer qualquer coisa que possa deixar a você mesmo mal e outros infelizes?

Portanto, leia os textos que sugeri a você no inicio da carta, e, mais que isto, busque entender a razão de seu chamado em Cristo [a leitura de meu site vai ajudar você nisso em muito], pois, você não foi chamado para não fazer, mas sim para ser.

Por isto, leia tudo o que você encontrar na Busca do site sobre “discípulo”, “discipulado”, etc.

Quanto a se dever freqüentar uma igreja, digo a você que não necessariamente.

Você deve ser parte da Igreja, e você já porque crê em Jesus.

Assim, você deve congregar-se em algum lugar no qual você seja de fato edificado na fé e no entendimento do Evangelho.

Mas... freqüentar de modo mágico, como se não indo a desgraça fosse chegar, não, mil vezes não!

Tudo em Jesus tem a ver com vida. Se a freqüência a algum grupo lhe traz graça e vida em Jesus, ajudando você a crescer em fé, amor e entendimento espiritual, então, freqüente aí. Caso contrário busque um lugar que seja assim.

Leia a Bíblia, o Novo Testamento!

Procure na Busca do site pelas palavras “Escritura”, “ler”, “Palavra”, etc.

Vá ao meu site — www.caiofabio.com — e visite o canal “Caminhando”, e lá veja se há um grupo do “Caminho da Graça” perto de você.

Receba meu carinho!

Nele, que deseja levar você às coisas excelentes, e não às medíocres,


Caio



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Que é Importante ?

Mostra-me, então, a tua “pregação” e a “tua igreja” sem amor, e, eu, sem “igreja” e sem “pregação”, com amor, te mostrarei a Pregação e a Igreja.

É um privilégio conhecer o Evangelho quando se o vive. Mas é uma desgraça saber dele para não vivê-lo, embora se admita a sua verdade.

Jesus disse que muitas “obras missionárias” podem ser atividades do diabo e do inferno!

Ele disse isto quando afirmou que os fariseus rodeavam o mundo querendo “clonar pessoas” à sua imagem e semelhança farisaica, tornando-as, por tal razão, duas vezes mais filhas do inferno do que eles mesmos [Mt 23].

Isto aconteceu milhões de vezes na história e está acontecendo hoje, aos milhões também, que é quando a pessoa era melhor antes de virar “cristã”.

Gente ruim, quando se “converte”, tende a ficar muito pior depois de um tempo, especialmente quando vêem na “hipocrisia” dos outros o álibi perfeito para fazer a maldade sob o manto da piedade.

Entretanto, já vi muita gente boa e simples ser enfeiada pela suposta “conversão”. É quando a religião chega para dar cabo das espontaneidades da vida sem religião, mas que era pura no exercício do amor, conforme a luz que se tinha.

É por isto que qualquer que seja a experiência com a “informação do evangelho” que não se faça acompanhar de fé, põe o individuo exposto à “informação” em estado muito pior do que o anterior. Pedro diz que é como a porca que volta à lama e o cão ao vômito.

Pouca gente sobrevive à tentação de apenas amar amando ante a “tranqüilidade” advinda da falsa segurança de fazer parte do “grupo que diz amar”.

É assim que as doutrinas e credos são criados. É assim que os concílios são inventados. É assim que organizações de amor são geradas. É assim que éticas são desenvolvidas e discutidas. É assim que uns se tornam melhores do que outros aos seus próprios olhos. É assim... — que tudo fica assim...

Para muitos o que digo é uma super-redução. Mas para quem sabe o que amor é, mesmo que seja um Forrest Gump, o que digo diz tudo o que importa na vida e aos olhos Daquele que vê.

Nele, que é apenas Amor,

Caio

8 de julho de 2008

Lago Norte

Brasília-DF