segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Texto interessante e desabafo... não necessariamente nessa ordem !

Bem... desde o fim de ano (época que particularmente não curto, principalmente agora que estou longe dos amigos de longa data e da família), que a gente tem postado menos. O Breyer tá de férias, eu e Lili estamos profundamente entediados com a vida em uma cidade de 30.000 habitantes e sem opção nenhuma (nem restaurante) à noite... e sem carro. Vendemos o nosso antes de sair de Fortaleza, e até agora não conseguimos pegar outro nesses caros preços do Rio Grande do Sul.

Bah, isso dá um tédio imenso, e faz a gente não postar mais. Mas, contudo, entretanto, todavia, ora então pois vejamos, encontrei esse texto aqui, bem interessante, e não podia deixar e postar. Tá, é mais um sobre igreja... confesso que mesmo que eu me sinta cansado sobre o assunto, sempre tem alguém mais que passa por aqui e acha interessante. Sempre ter leitor novo, sempre tem alguém que vem de outro blog que nos linkou... então tá aí o dito-cujo (será sem hífen agora ? tudo junto ? separado ? vai saber !).

7 características de igrejas que cometem abuso espiritual

1) Scripture Twisting (Distorção da Escritura): para defender os abusos usam de doutrinas do tipo "cobertura espiritual", distorcem o sentido bíblico da autoridade e submissão, etc. Encontram justificativas para qualquer coisa. Estes grupos geralmente são fundamentalistas e superficiais em seu conhecimento bíblico. O que o lider ensina é aceito sem muito questionamento e nem é verificado nas Escrituras se as coisas são mesmo assim, ao contrario do bom exemplo dos bereanos que examinavam tudo o que Paulo lhes dizia.

2) Autocratic Leadership (liderança autocrática): discordar do líder é discordar de Deus. É pregado que devemos obedecer ao ditador, digo discipulador, mesmo que este esteja errado. Um dos "bispos" de uma igreja diz que se jogaria na frente de um trem caso o "apóstolo" ordenasse, pois Deus faria um milagre para salvá-lo ou a hora dele tinha chegado. A hierarquia é em forma de pirâmide (às vezes citam o salmo 133 como base), e geralmente bastante rígida. Em muitos casos não é permitido chamar alguém com cargo importante pelo nome, (seria uma desonra) mas sim pelo cargo que ocupa, como por exemplo "pastor Fulano", "bispo X", "apostolo Y", etc. Alguns afirmam crer em "teocracia" e se inspiram nos líderes do Antigo Testamento. Dizem que democracia é do demônio, até no nome.

3) Isolationism (Isolacionismo): o grupo possui um sentimento de superioridade. Acredita que possui a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. Eu percebi que a relação com outros ministérios se da com o objetivo de divulgar a marca (nome da denominação), para levar avivamento para os outros ou para arranjar publico para eventos. O relacionamento com outros ministérios é desencorajado quando não proibido. Em alguns grupos no louvor são tocadas apenas músicas do próprio ministério.

4) Spiritual Elitism (Elitismo espiritual): é passada a idéia de que quanto maior o nível que uma pessoa se encontra na hierarquia da denominação, mais esta pessoa é espiritual, tem maior intimidade com Deus, conhece mais a Biblia, e até que possui mais poder espiritual (unção). Isso leva à busca por cargos. Quem esta em maior nível pode mandar nos que estão abaixo. Em algumas igrejas o número de discipulos ou de células é indicativo de espiritualidade. Em algumas igrejas existem camisetas para diferenciar aqueles que são discípulos do pastor. Quanto maior o serviço demonstrado à denominação, ou quanto maior a bajulação, mais rápida é a subida na hierarquia.

5) Regimentation of Life (controle da vida): quando os líderes, especialmente em grupos com discipulado, se metem em áreas particulares da vida das pessoas. Controlam com quem podem namorar, se podem ou não ir para a praia, se devem ou não se mudar, roupas que podem vestir, etc. É controlada inclusive a presença nos cultos. Faltar em algum evento pro motivos profissionais ou familiares é um pecado grave. Um pastor, discípulo direto do líder de uma denominação, chegou a oferecer atestados médicos falsos para que as pessoas pudessem participar de um evento, e meu amigo perdeu o emprego por discordar dessa imoralidade.

6) Disallowance of Dissent (rejeição de discordâncias): não existe espaço para o debate teológico. A interpretação seguida é a dos lideres. É praticamente a doutrina da infalibilidade papal. Qualquer critica é sinônimo de rebeldia, insubmissão, etc. Este é considerado um dos pecados mais graves. Outros pecados morais não recebem tal tratamento. Eu mesmo precisei ouvir xingamentos por mais de duas horas por discordar de posicionamentos políticos da denominação na qual congregava. Quem pensa diferente é convidado a se retirar. As denominações publicam as posições oficiais, que são consideradas, obviamente, as mais fiéis ao original. Os dogmas são sagrados.

7) Traumatic Departure (saída traumática): quem se desliga de um grupo destes geralmente sofre com acusações de rebeldia, de falta de visão, egoismo, preguiça, comodismo, etc. Os que permanecem no grupo são instruídos a evitar influências dos rebeldes, que são desmoralizados. Os desligamentos são tratados como uma limpeza que Deus fez, para provar quem é fiel ao sistema. Não compreendem como alguém pode decidir se desligar de algo que consideram ser visão de Deus. Assim, se desligar de um grupo destes é equivalente a se rebelar contra o chamado de Deus. Muitas vezes relacionamentos são cortados e até famнlias são prejudicadas apenas pelo fato de alguém não querer mais fazer parte do mesmo grupo ditatorial.

fonte: Emeurgência [via Pavablog], via Thiago Mendanha.

Obs: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Aprenda a sofrer

Amigo, entre de cabeça na sua dor. Aceite que é ruim. Não tente disfarçar.Desocupe a mente e viva o seu sofrimento. Evite o bar. Fuja dos conselheiros. Soluce, choromingue, ruja, mas não armazene agonia.

Amigo, esperneie, grite, teatralize, mas não continue a engolir seco. Converse com as estrelas, contemple os precipicios. Afunde-se em fossas. Rememore seus momentos tristes. Não limpe as lágrimas. Jejue, rasgue véus. Deixe a barba por fazer.

Amigo, corra até a exaustão, enfrente a sua mágoa. Tranque-se para encarar o seu fracasso. Recolha-se para abraçar a sua derrota. Volte o rosto contra a parede. Ajoelhe-se. Vista-se de saco e se sente sobre um monte de cinza. Raspe a cabeça. Descalce os pés. Contrate um taxi, por duas horas vagueie à deriva. Desassossegue com sonetos. Escute fado.

Amigo, repita silenciosamente: “Cordeiro de Deus, que sofreste na cruz, tem misericórdia de mim”. Caminhe cabisbaixo, ria pouco. Entre numa catedral vazia e ouça o silêncio. Considere a sina de quem nunca viu a luz. Visite uma escola para crianças com síndrome de Down. Ajude os AA’s. Doe para a clínica que reabilita toxicômanos.

Amigo, Deus desceu do céu, tabernaculou entre os homens, e sofreu como você. Ele teve um filho sem pecado, mas nenhum sem sofrimento. Deus consola. Ele sabe o que é ficar sem chão. Soletre esperança como obstinação e fé como coragem. Trinque os dentes e prossiga.

Soli Deus Gloria.

Do conterrâneo Ricardo Gondim.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

É Cristã a Igreja Evangélica?

Segue abaixo resenha de livro contida no Cristianismo Hoje, direto do site do Thiago Mendanha:

Livro questiona a verdade cristã presente nas igrejas, abalada pela institucionalização excessiva.

É Cristã a Igreja Evangélica?
Magno Paganelli
104 páginas
Arte Editorial

Desde os primeiros séculos da história do cristianismo, inicialmente movimento leigo a partir dos ensinamentos de Jesus e de suas manifestações, a Palavra foi incorporada pelo domínio do clericalismo e do Estado Romano (séc.IV) para tornar-se religião oficial do Estado. Após o movimento protestante, na Europa dos séculos XVI e XVII, surge o Protestantismo como religião oficial de vários Estados europeus. E assim tem sido até o cenário eclesiástico atual: a história da Igreja se confundido com uma história de institucionalização.

O livro de Magno Paganelli discute o problema gerado por essa institucionalização exacerbada que, muitas vezes, extrapola o apoio na transmissão dos ensinamentos da Palavra em prol de interesses próprios, fazendo com que se percam os princípios genuínos cristãos. Dessa forma, vê-se a construção de “impérios pessoais“ em detrimento da missão das Igrejas em tomar a frente na construção do Reino de Deus.

Magno também retrata as divergências das interpretações da Palavra que tem levado a posturas errôneas de fiéis e autoridades religiosas diante do adequamento as regras estabelecidas pelas diferentes congregações.

Chama a atenção para a importância e necessidade de nos avaliarmos em nossas condutas e não perdermos de vistas que somos o “povo do livro” (A Bíblia), todos nós, padres, pastores, cristãos, evangélicos, protestantes, fiéis, etc.

Magno, entretanto, evidencia que sua obra não encerra o propósito de crítica à Igreja no Brasil, tão pouco ganha espaço por meio de revelações polêmicas, antes, seu trabalho representa uma “dividia impagável com o Corpo de Cristo” e um compromisso com a verdade, para o bem comum.

Claramente ele faz uma leitura de três áreas da vida da Igreja brasileira, a saber: 1- O rigor tomado pela Igreja, com base na tradição, que tem sobrepujado as Escrituras; 2- O domínio de propriedades da Igreja e da sua geografia, por “donos” que detém setores e constroem “impérios pessoais”; e 3- A fé, como objeto principal da Igreja e da religião cristã, discutindo como ela tem sido sustentada e transmitida por quem ensina e prepara nos meios religiosos.

A igreja é temporal e, por isso, passageira, até que Jesus venha novamente. Assim, Magno nos deixa em seu livro a mensagem de que a Palavra deve ser a pedra fundamental em nosso modo de dirigir a vida e sempre devemos voltar-nos a Ela.

Rebanho de Tolos - Alysson Amorim

A obediência que liberta finca suas raízes no interior do homem, é tecida com a voz pura do obediente; pura pois não deve haver nessa voz, para que o ato de obediência seja efetivamente libertador, nenhum fonema que não seja de estrita autoria daquele que obedece.

A resposta mecânica a estímulos exteriores não é obediência e sim tolice, pois tem sua raiz não no sujeito que responde – que é nesse caso nada mais que um espelho a refletir cenas exteriores – mas geralmente em estruturas de poder, que dependem invariavelmente desses espelhos indolentes para manter no palco o seu teatro surreal.

Suprimir a autonomia do maior número possível de homens é não apenas a forma mais eficaz para estender e manter um poder como também uma maneira de obstar a salvação, originada de uma resposta autêntica e livre do homem à proposta de Deus.

O problema com a Igreja é que ela tornou-se uma estrutura de poder e com isso fez-se não uma semeadora da mensagem salvífica, mas precisamente o contrário, um sério obstáculo à divulgação dessa boa nova, uma estrutura que reclama espelhos que reflitam seus caprichos.

A tolice, me ensina Bonhoeffer, “não é um defeito de nascença [...] as pessoas são feitas tolas, isto é, deixam-se tornar tolas [...] Talvez seja mais um problema sociológico que psicológico. Ela é uma forma particular de influência das circunstâncias históricas sobre a pessoa.” Mais adiante o teólogo alemão, que sofreu barbaramente com a tolice nacional-socialista, afirma: “Qualquer demonstração exterior mais forte de poder, seja ele político ou religioso, castiga boa parte das pessoas, tornando-as tolas.”

O rebanho está inundado de ovelhas tolas que são reproduzidas em toda sorte de divisão celular, em meioses e mitoses. Na conversa com um tolo, lamenta Bonhoeffer – descrevendo com felicidade ímpar a impressão que se tem ao tentar conversar com um crente convicto – “chega-se a se sentir que não é com ele mesmo que se está tratando, mas com chavões e com palavras de ordem que tomaram conta dele. Ele está fascinado, obcecado, foi maltratado e abusado em seu próprio ser.”

Por viver no tempo e espaço em que viveu, Bonhoeffer sabia que “somente um ato de libertação poderia vencer a tolice” e que “uma libertação interior autêntica, na maioria dos casos, somente será possível depois que tiver ocorrido a libertação exterior. Até que esta aconteça, temos de desistir de todas as tentativas de persuadir o tolo.”

O desconcertante é que se queremos espalhar a boa nova o primeiro passo é tirar de cena a Igreja.


Direto do Um Lugar para Quem Acredita que Acredita.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Novo post, enfim

11 dias sem nenhum post novo... natal, novo e tudo o mais...

Tem sido dias bem corridos e problemas não tem faltado. Estou até pensando em abrir uma empresa de exportação deles.

Estou lendo o Confissões de um Pastor, do Caio Fábio. Encontrei um trecho bem interessante, onde ele vai à aldeia de uma tribo no amazonas e por lá fica uns dias. Transcrevo abaixo (é longo, mas bem interessante):

— Quando eu cheguei aqui, não sabia nada sobre os yscarianas. Vim apenas porque queria
aprender a língua deles e traduzir a Bíblia para o idioma. Quando chegamos, eles nos receberam
com tranqüilidade. Não sabíamos como nos comunicar, mas percebemos que eles eram
diferentes, nos traziam comida e riam muito para nós. Um dia, quando eu estava escovando os
dentes na beira do rio, um indiozinho veio e ficou bem ao meu lado, olhando-me enfiar aquela
escova na boca e mexer de um lado para o outro. Fiquei sem graça. Levantei, olhei para o rio e
decidi assobiar um hino. Aprontei o bico e soprei os sons de Santo, Santo, Santo, Deus onipotente.
De repente, percebi que o rapazinho estava assobiando comigo. Parei e olhei para ele, mas ele
continuou a assobiar sozinho. O índio sabia o hino todo e assobiou-o com um riso maroto no
canto da boca, enquanto eu arregalava os olhos.
— Mas como? Quem já tinha pregado o evangelho pra eles? Onde é que eles aprenderam
Santo, Santo, Santo? — perguntei curiosíssimo.
— Há uma tribo chamada uai-uai. Eles são das matas venezuelanas. Lá nas florestas onde
viviam, chegaram uns missionários e falaram sobre o evangelho com eles. A tribo inteira se
tornou cristã e eles decidiram que seriam os porta-vozes de Deus na floresta. Eles estão
percorrendo as matas pregando para outros índios — informou-me Desmundo, enquanto eu
quase não acreditava na beleza daquilo que ouvia.
— E a conversão dos yscarianas, como aconteceu? — indaguei com profunda ansiedade.
— Os uai-uai chegaram aqui perto, abriram uma clareira, acamparam e mandaram uma
comitiva até aqui. “Mandem alguns homens porque temos boas novas para vocês”, eles
mandaram dizer. Então, os yscarianas mandaram uma comitiva. Liderando o grupo foi o
feiticeiro da tribo, o sacerdote, o pajé. O nome dele é Araca. Lembra do homem de cabelo cortado
redondo em forma de cuia? Aquele que eu apresentei a você em primeiro lugar? Ele é o Araca.
Eles foram até lá e se sentaram com os líderes dos uai-uai. Ouviram sobre a visita do Filho de
Deus ao mundo. Disseram não saber que KorinKumam tinha um filho. Mas os uai-uai disseram
que Jesus era o filho de KorinKumam. Ouviram várias histórias de milagres do evangelho, todas guardadas na memória dos uai-uai. Eles voltaram para casa e reuniram a tribo toda. Araca disse
que daquele dia em diante ele só faria orações a Jesus, o filho de KurinKumam. Muitos fizeram a
mesma coisa e a maioria da tribo se tornou cristã. Foi assim que tudo aconteceu — contou
Desmundo com um olhar puro, limpo, cheio de amor, o que fazia seus olhos crescerem enquanto
falava.
— Mas e você e sua esposa? Qual foi o papel que vocês tiveram nisso tudo? — perguntei,
querendo saber no que consistia a vida e a missão deles no lugar.
— Bem, eu não sou pastor e nem pregador. Sou antropólogo e lingüista. Mas antes de tudo,
eu sou cristão. Minha missão aqui foi aprender a língua deles, criar um alfabeto e ensiná-los a ler.
Fiquei quase sete anos fazendo isso. Enquanto esse trabalho era feito, eu traduzia trechos da
Bíblia para eles. Com a ajuda de Araca, traduzi o evangelho de Marcos, que é bem simples, o
evangelho de João, as cartas de São Paulo aos Romanos e a Timóteo, e as epístolas de São Pedro.
Eu dou o texto a eles e deixo que decidam que tipo de cristãos querem ser. Não estou tentando
impor nada — ele me disse com muita certeza de seus objetivos naquele particular.
— E que tipo de cristãos eles se tornaram? — indaguei com ansiedade e doido para ouvir
alguma coisa que reforçasse as minhas teses sobre o obsoletismo das formas de culto e prática da
Igreja atual, pois estava convicto de que muito do que a igreja pratica hoje não tem nada a ver com
a Bíblia. São apenas tradições, feitas sagradas. Só isso. — Mas sim, em que tipo de crentes eles se
tornaram? — insisti.
— Cristãos primitivos, quase como os do Novo Testamento. Só que são mais puros, pois
nunca foram judeus — disse brincando.
— Como assim? Na prática, como é isso? Por exemplo, como é que eles batizam, a quem
eles batizam e como é que eles dirigem a igreja? Eles têm pastor? Qual é a hierarquia que eles
têm, se é que têm alguma? E os líderes da tribo? São os mesmos da igreja? Há separação de
casais? E a vida sexual? Um homem pode ter mais de uma mulher? E os espíritos, eles ainda têm
algum vínculo com eles? — foram todas as questões que eu despejei sobre ele, excitado de tanta
curiosidade.
— Eles batizam dos dois modos: tanto por aspersão, jogando a água na cabeça, como fazem
os católicos, anglicanos e presbiterianos; como também batizam por imersão, mergulhando a
pessoa no rio Nhamundá. Depende do tempo. Quanto está frio, vai de um jeito, quando está
quente, vai do outro. Eles batizam os que se convertem. Mas às vezes, quando os pais pedem, eles
também batizam crianças. Eles também têm pastores; são oito. O Araca é o líder maior, mas eles
decidem tudo juntos. Quanto a casamento, não há separação aqui. Quando um homem não quer
mais sua mulher, ele não a deixa. Apenas não toca mais nela, mas cuida dela. Quem já tinha mais
de uma mulher quando se converteu, manteve todas. Os que estão se casando agora, depois que
se tornaram cristãos, estão sendo aconselhados a ter uma só. Mas quem quer, pode ter mais de
uma, só não pode é ser líder da igreja. Os pastores têm que ser maridos de uma só mulher, como
eles leram na carta de São Paulo. Mas não pode haver adultério. Se um homem quer ter outra
mulher, não deve nunca ser uma já casada. Tem que ser solteira, e a esposa dele tem que
consentir.
Eu fiquei perplexo com tudo aquilo. De fato, jamais pensara que na vida eu fosse ser
apresentado a um quadro tão fantasticamente original quanto aquele.
— Mas e você, Desmundo, você não tenta passar para eles coisas que você pratica e crê? —
perguntei, achando quase impossível que pudesse ser diferente.
— Não. Eu não digo nada, a menos que me perguntem. Mas quando eles me perguntam
algo, eu sempre respondo que aquilo é apenas a minha opinião — afirmou.
— Mas e se você vê na Bíblia um mandamento claro a respeito daquilo? O que você diz? Você
diz o que consta na Bíblia? — questionei com a decisão de quem estava acostumado a dizer como
as pessoas deviam viver.
— Não, eu não os mando fazer nada, mesmo quando tenho opiniões bem claras sobre o
assunto. Eu apenas mostro o que está escrito na Bíblia e digo para eles irem pensar e orar juntos.
Às vezes eles voltam com a mesma opinião que eu tenho. Outras vezes, não — concluiu com um
certo orgulho de seu método cientificamente tão “isento e democrático”.
— Mas Desmundo, por que é que você faz assim? Se você sabe a verdade, você tem que
passar para eles! — falei um pouco impaciente.
— Mas o que é a verdade? O que eu vejo como verdade, outro pode ver de modo diferente.
Uma coisa que eu aprendi nos estudos, mas muito mais no convívio com os índios, é como eu
estou completamente condicionado a ver a vida como inglês. Por mais que eu queira ser isento na
minha leitura da Bíblia, eu não consigo. Eu sempre leio a Bíblia com o olhar de minha família,
criação e cultura nacional e religiosa. Então, como eu vou saber se eu estou lendo de fato a Bíblia
ou apenas vendo coisas com meus olhos europeus? — falou, dando-me de graça uma fantástica
aula de antropologia missionária.

O livro também está disponível no site do próprio Caio.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Apenas 2 Denários !

Domingo à noite, após a reunião, fomos até o centro da cidade para ver uma apresentação natalina. Estava muito cheio gente e permaneci de longe tentando ouvir.

Passado algum tempo chegou uma pessoa que fazia um tempo eu não via. Uma cristã verdadeira, porém absorvida em pensamentos e concepções evangélicas, que não do Evangelho. Não a julgo de maneira nenhuma, pois faz o que muito fiz. Por aqui nesses dias é inevitável as perguntas: “ E vocês estão bem? Foram afetados pela enchente?”. Após saber que tudo estava bem, ela começou sua explanação de livramento: “Eu passei a noite repreendendo pra gente ficar imune, afinal Deus faz diferença entre seus justificados pelo sangue de Jesus. Mesmo que seja verdade que muitos crentes foram atingidos” E eu sem querer ser grosseiro só dizia: “pois é”. Tentei desconfortá-la: “Acho que quem Deus “imunizou” tem o dever de ajudar os afetados não é? Fiquei triste de ver igrejas mantendo suas programações normais, enquanto a água engolia muita gente. Sua igreja fez algo em favor das pessoas?” . “Não” ela me disse. “temos lá 3 cestas básicas mas Deus não nos mostrou o que fazer com elas”. Eu ouvi isso ao fundo de hinos cristãos em praça pública, executados por “mundanos” que fizeram uma campanha pra arrecadar brinquedos usados pra crianças na redondeza pra não passarem o natal em branco. Fui remetido a uns minutos antes, quando estávamos na reunião da estação lendo em Lucas 10, o bom Samaritano, onde conclui:

Um teólogo perguntou a Jesus: Mestre que devo fazer pra ser um salvo? Ao que Jesus respondeu: Como resumes tua teologia? “ Amar a Deus sobre tudo e de toda forma, e o próximo como a si mesmo” – respondeu o teólogo. E Jesus retornou: “bingo”, faz isso e serás salvo. Infelizmente, Jesus ouve sua última pergunta:“Quem é o meu próximo?”.

Então Jesus decide contar uma história:
Certa família foi pega de surpresa por uma tragédia. Uma chuva intensa, fez com que um barranco desmoronasse nos fundos de sua casa e trouxe lama até sua cozinha. Eles olharam e viram que muito mais podia vir abaixo. Quando desceram a rua pra pedir ajuda pra salvar os móveis, perceberam que estavam ilhados pela água que havia tomado a rua com mais de 1 metro de altura. Ficaram desesperados por uns 4 dias, mesmo tendo sido alojados num galpão de uma igreja católica pela defesa civil. Pouca coisa sobrou de seus poucos pertences e a casa condenada.

Diante da situação um pastor lamentava, pois as coisas podiam ser diferentes se esse povo se voltasse pra Deus. Desse modo as pessoas ficariam protegidas, assim como ele foi. Por isso não pode parar, ele tinha um culto pra prestar ao Deus que o socorreu. Era também dia de entregar sua oferta no altar.

Logo depois, passou um ministro gospel, que teve de fazer um contorno imenso por outro caminho pra chegar no templo. Quase chegou atrasado pra campanha de 72 horas de louvor sem interrupção. Felizmente chegou bem no horário de sua escala.

Pra salvação da família que havia perdido tudo, um próximo bem distante, quem sabe de Recife, São Paulo ou Porto Alegre ou mesmo do outro lado da cidade, falou com sua patroa:“ Pega umas roupas e aquele colchão do quarto de visitas. Pega também uns 2 denários lá na gaveta pra comprar uns mantimentos. Tem uma carreta que vai levar isso pra umas pessoas que precisam mais do que nós. Depois com o décimo terceiro a gente vê se consegue ajudar um pouco mais.

No final a pergunta de Jesus: Qual desses é o próximo?

Amar a Deus com força, coração, alma e entendimento é direcionar o serviço ao próximo, mesmo que seja com apenas 2 denários.

Denário = renda pelo trabalho de 1 dia. Na média salarial brasileira uns R$ 25,00.

Direto do Caminho da Graça - Estação Brusque.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A IGREJA QUEBRA GALHO DA VIDEIRA

Jesus disse que Ele está para nós assim como a Videira está para os ramos.



Sem videira todo ramo é pedaço de pau e somente isto.



Sim! É madeira morta, boa para ser queimada.



Os cristãos, no entanto, foram enganados e deixaram-se enganar, pois,
desde que se determinou que "fora da igreja não há salvação", que a
Videira passou a ser a "igreja", e, também, desde então, o Agricultor,
que, segundo Jesus é o Pai, entre os cristãos é o Pastor, ou, em alguns
grupos, o Corpo de Doutrina pelo qual se faz a "poda" de membros.



Assim, para o crente, "permanecer em Jesus", [João 15], é permanecer
firme na "igreja", freqüentando, participando e se submetendo a tudo.



Do mesmo modo, "dar fruto", segundo os crentes e suas emoções
condicionadas por anos de engano religioso, é evangelismo como programa,
é acampamento como devoção, é célula de crescimento, é cantar no grupo
de louvor, é ir à reunião de oração, e, sobretudo, é dar o dízimo em dia.



E o mandamento de amar uns aos outros é algo que os crentes entendem
como amar os que são iguais a eles enquanto os tais não ficarem
diferentes. Nesse dia eles viram desviados.



Ainda no mesmo andar de engano, os crentes pensam que "ser lançado fora"
da Videira é ser disciplinado pelo Agricultor Pastoral ou pelo Conselho
de Agricultura que aplica o Corpo de Doutrinas disciplinadoras e
excludentes, aos quais supostamente não se equivocam ao separar o joio
do trigo no campo do mundo-igreja.



Ser “amigo de Jesus” [João 15], para os crentes é estar em dia com a
doutrina, o dizimo e a freqüência.



Assim, para a maioria dos crentes, emocionalmente, é assim que João 15 é
sentido e praticado.



Ora, o resultado é o desastre cristão desses quase dois mil anos!



De fato, a religião cristã é um estelionato espiritual, pois, chama para
si, como se fora Deus, aquilo que é de Deus e somente passível de
realização Nele.



O que Jesus dizia era tão simples.



O que Ele dizia é apenas isto:



Absorvam a minha Palavra; o meu ensino; e o pratiquem com amor por mim e
por todo ser humano. Se vocês sempre crerem que a Vida de vocês está em
mim e vem da obediência ao mandamento do amor, então, vocês serão meus
amigos; e, assim, toda a verdade de minha Palavra será fato e bem na
vida de vocês. Mas, sem mim, sem vida em meu amor, sem absorção do
Evangelho no coração, por mais que vocês tentem viver e buscar o bem, de
fato vocês serão apenas como galhos soltos, secos e mortos; existindo
sob o engano de que existe vida em vocês, quando, de fato, pela própria
presunção de vocês, estarão mortos sem o saberem.



O resto a História do Cristianismo nos conta!

Caio Fábio - 24 de novembro de 2008.